Malformação Congênita

As malformações congênitas dos membros estão entre as mais comuns dos seres humanos. Malformação congênita e defeito congênito são termos usados indiferentemente na literatura.
Flatt3 afirma ser impossível estabelecer uma incidência das malformações congênitas pela grande variação de definição e pela veracidade dos dados publicados. Cita ainda que seja geralmente afirmado que entre 1% a 2% das crianças nascidas são malformadas. Mesmo a mão sendo um órgão visível, a verdadeira incidência é desconhecida. Revela ainda que durante quase 40 anos de exercício da medicina e voltado para as malformações congênitas da mão, não fez nenhuma tentativa de estabelecer uma percentagem na população geral. Esteve sempre interessado nas variadas malformações publicadas. Nos seus casos particulares a sindactilia é a malformação mais comum, 18,2%, seguido da polidactilia 14,6% 3.
Em estudos Europeus há citação de incidência de 26%, de todos os casos descritos de malformações, em anomalias nos membros superiores, resultando numa proporção de quase 60 casos para 10.000 nascimentos.

Crescimento e desenvolvimento da mão

A gestação pode ser dividida no período embrionário, primeiras oito semanas após a fertilização, e o período fetal. O período embrionário é caracterizado pela diferenciação das células em componentes condro-ósseo, neural e muscular. O crescimento ou aumento da massa ocorre durante o período fetal. O crescimento pós natal é o resultado de constante modificação da forma e função
7.
O crescimento e desenvolvimento da mão e de todos os tecidos durante a vida uterina assemelham-se a infância e adolescência. A diferenciação e crescimento do membro superior é o resultado de intrincada coordenação de seis fundamentais e inter-relacionados mecanismos. Inicialmente ocorre a diferenciação ou modulação do pleuropontencial tecido conectivo mesenquimial. As células diferenciadas, ósseas e cartilaginosas aumentam de número em divisões mitóticas. Aumento da síntese de proteínas estruturais intracelulares, também ocorre, assim como o aumento da diferenciação do líquido intracelular, ao mesmo tempo em que a matriz extracelular é elaborada com o também aumento do conteúdo da água extracelular. Existe a programação de um super mecanismo de crescimento e morte celular e uma regular modificação dos elementos celulares existentes
7.
O crescimento dos membros no período fetal pode ser estabelecido:
8ª semana – Começo da ossificação primária dos centros do esqueleto
10ª semana – Aparecimento das cavidades articulares, o desenvolvimento das superfícies articulares e os leitos ungueais.
15ª semana – Os centros primários de ossificação nos metacarpos são alongados e placas de crescimento são formadas em cada extremidade. O movimento fetal continua a modelar as superfícies articulares.
16ª semana – Formação muscular.
20ª semana – Perfuração dos canais cartilaginosos que proporcionará a sua vascularização7.
Existe uma confusão entre os termos malformação e deformidade congênita. A Malformação refere-se a um defeito estrutural primário, ocasionado por uma falha localizada no desenvolvimento – ex. ausência congênita do rádio. Deformidade é uma mudança secundaria na forma ou estrutura, numa estrutura desenvolvida normalmente – ex. bridas amnióticas7.
A etiologia das malformações congênitas é variada. Fatores genéticos e ambientais são usados como exemplos, porém a grande maioria das malformações congênitas é de causa desconhecida. A maioria ocorre durante o período embriológico e quase sempre envolve o mesoderma e tem associação com sistema multifuncional, mais do que o que ocorre durante o período fetal. Isso explica a mortalidade e morbidade das malformações que ocorre no período embriológico
7.

Malformação Congênita
Rui Ferreira - Coeli Leite